CFOP 1922: O Que Significa e Quando Usar na Nota Fiscal
Entenda o que é CFOP 1922, quando usar na nota fiscal e evite erros de tributação. Guia prático com exemplos e dicas.
Sumário
No universo da contabilidade fiscal brasileira, o CFOP 1922 surge como um código essencial para operações específicas de entrada de mercadorias. Esse código, parte da Tabela de Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP), é utilizado para registrar "Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de compra para recebimento futuro". Em outras palavras, trata-se de uma entrada simbólica no estoque fiscal, sem a circulação efetiva da mercadoria e sem o destaque de impostos como ICMS ou IPI na origem. Essa prática é comum em cenários onde empresas precisam garantir o giro de estoque antecipadamente, como em vendas diárias que exigem reposição constante antes do esgotamento físico do produto.
Com a constante evolução da legislação tributária, entender o CFOP 1922 torna-se crucial para evitar erros na emissão de Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) e na Escrituração Fiscal Digital (EFD-ICMS/IPI). Empresas de diversos setores, desde o varejo até a construção civil, recorrem a esse código para otimizar sua gestão fiscal. Neste artigo, exploraremos em profundidade o significado do CFOP 1922, suas aplicações práticas, diferenças em relação a outros códigos e os impactos da Reforma Tributária prevista para 2026. Manter a conformidade com o CFOP 1922 não só evita multas, mas também facilita a integração com sistemas ERP modernos, promovendo eficiência operacional.

A importância do CFOP 1922 cresce à medida que o Fisco digitaliza cada vez mais as obrigações acessórias. De acordo com especialistas, esse código permite uma contabilidade prévia à entrada física, garantindo que o estoque fiscal reflita compromissos futuros de compra. Vamos mergulhar nos detalhes para que você possa aplicar o CFOP 1922 com confiança na emissão de suas notas fiscais.

O Que Significa o CFOP 1922?
O CFOP 1922 é um código de quatro dígitos que integra a tabela oficial mantida pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ), instituída desde 1970 e periodicamente atualizada. Especificamente, ele denomina a operação de "lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de compra para recebimento futuro". Isso significa que, ao emitir uma nota fiscal com CFOP 1922, a empresa compradora registra uma entrada fictícia ou simbólica em seu estoque, sem que a mercadoria tenha sido efetivamente entregue.
Diferentemente de entradas reais, onde há transporte físico e destaque de tributos, o CFOP 1922 não gera obrigações imediatas de pagamento de ICMS ou IPI. É uma ferramenta contábil para antecipar o faturamento, comum em negociações com prazos de entrega estendidos. Por exemplo, um supermercado que vende produtos perecíveis diariamente pode usar o CFOP 1922 para registrar a compra futura de frutas, emitida pelo fornecedor via CFOP 5922 (saída simbólica no mesmo estado), mantendo o controle de estoque alinhado.
Essa operação é regulada pela legislação estadual e federal, exigindo que a NF-e seja emitida com valor simbólico, geralmente igual ao da fatura futura. A Receita Federal e as Secretarias da Fazenda estaduais monitoram essas entradas para evitar simulações fraudulentas, recomendando documentação comprobatória como contratos de compra. Para mais detalhes sobre o CFOP 1922, consulte este artigo especializado da GSoft, que explica sua estrutura técnica.
Quando e Como Usar o CFOP 1922 na Prática
O uso do CFOP 1922 é indicado em situações de compra com recebimento futuro, onde há necessidade de giro imediato de estoque fiscal. Imagine uma construtora que contrata fornecimento de cimento para uma obra longa: o fornecedor emite uma nota de simples faturamento com CFOP 5922, e a construtora lança a entrada com CFOP 1922. Isso permite deduzir créditos presumidos de ICMS antecipadamente, otimizando o fluxo de caixa.

Na emissão da NF-e, preencha os campos com:
- Natureza da operação: "Entrada simbólica por faturamento futuro".
- CFOP: 1922.
- Valor total: Simbólico, sem ICMS/IPI destacado.
- CST: Geralmente 00 ou 40, dependendo do regime tributário.
Para operações interestaduais, adapte para códigos como 2922 (entrada de outro estado). Sistemas como o da CFOP.com.br oferecem consultas gratuitas para validar o uso correto do CFOP 1922.
Outros cenários incluem indústrias com produção contínua, onde matérias-primas são faturadas antes da produção, ou varejistas com pedidos sazonais. Sempre acompanhe o Ajuste SINIEF para atualizações, evitando rejeições no SPED Fiscal.
Diferenças entre CFOP 1922 e Outros Códigos Relacionados
Para evitar confusões, é vital diferenciar o CFOP 1922 de códigos semelhantes. Enquanto o 1922 é para faturamento simbólico sem circulação, o CFOP 1116 aplica-se a entradas efetivas para industrialização, com destaque de ICMS. Já o 1117 é para comercialização ou revenda, também com tributação plena.
A seguir, uma tabela comparativa dos principais CFOPs de entrada:

| CFOP | Descrição Principal | Circulação Física | Destaque de ICMS/IPI | Aplicação Típica |
|---|---|---|---|---|
| 1922 | Simples faturamento para recebimento futuro | Não | Não | Estoque simbólico, giro antecipado |
| 1116 | Entrada para industrialização | Sim | Sim | Produção fabril |
| 1117 | Entrada para comercialização/revenda | Sim | Sim | Varejo e atacado |
| 2922 | Interestadual simbólica | Não | Não | Compras de outros estados |
| 5922 | Saída simbólica (fornecedor) | Não | Não | Complemento ao 1922 |
Essa tabela ilustra como o CFOP 1922 se destaca pela ausência de movimento físico, facilitando análises fiscais rápidas.
Aplicações Setoriais do CFOP 1922
No setor de construção civil, o CFOP 1922 é amplamente adotado para materiais como cimento e aço, onde entregas são escalonadas. Uma empresa pode registrar dezenas de entradas simbólicas mensais, alinhando o estoque fiscal à previsão de obra.
No varejo alimentício, supermercados usam para perecíveis, evitando descompasso entre vendas e reposição. Indústrias farmacêuticas aplicam em insumos importados com prazos longos. Em todos os casos, o CFOP 1922 reduz riscos de inadimplência fiscal, mas exige reconciliação posterior com entradas reais (via CFOP 1116/1117).
Auditorias internas devem verificar duplicidades, garantindo que o simbólico não gere créditos indevidos.
Impactos da Reforma Tributária de 2026 no CFOP 1922
A partir de 2026, a Reforma Tributária (Emenda Constitucional 132/2026) introduz IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, substituindo ICMS) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, substituindo PIS/COFINS), com transição até 2032. O CFOP 1922 não será extinto, mas adaptado para escrituração digital integrada.
Empresas precisarão atualizar NF-e para incluir campos de IBS/CBS, mesmo em operações simbólicas. Testes do Comitê Gestor do IBS em 2026 exigirão CNPJ para produtores rurais em certas transações. A nova codificação cClasstrib afetará saídas, alterando DANFE Varejo e substituindo NFC-e em pontos com CNPJ.

Sistemas fiscais devem vincular CFOP 1922 às novas regras, com contabilidade obrigatória sem cobrança imediata. O Guia Prático do CONFAZ para 2026 (Anexo VI) orienta essas mudanças, enfatizando conformidade na EFD.
Implementação e Conformidade com CFOP 1922
Para implementar o CFOP 1922, integre-o a ERPs como Totvs ou SAP, configurando validações automáticas. Treine equipes contábeis em consultas à tabela CONFAZ, atualizada via Ajustes SINIEF.
Monitore rejeições comuns na Sefaz, como "CFOP incompatível com movimento". Para PMEs, ferramentas online facilitam emissões. Conformidade evita autuações de até 100% do valor da operação.
O Veredicto Final
O CFOP 1922 representa uma ferramenta estratégica para gestão fiscal eficiente, especialmente em cenários de compras futuras. Sua aplicação correta otimiza estoques, fluxos de caixa e conformidade tributária, mesmo diante das mudanças da Reforma Tributária em 2026. Ao dominar o CFOP 1922, empresas brasileiras ganham vantagem competitiva, reduzindo riscos e maximizando créditos. Consulte sempre legislações atualizadas do CONFAZ e profissionais especializados para adaptações personalizadas. Com planejamento, o CFOP 1922 continuará essencial na era digital fiscal.
Quer Saber Mais?
- [1] https://gsoft.com.br/artigos/cfop-1922
- [2] https://gestaoclick.com.br/blog/cfop/
- [3] https://cfop.com.br/cfop-1922-lancamento-efetuado-a-titulo-de-simples-faturamento-decorrente-de-compra-para-recebimento-futuro/
- [4] https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/01/02/ano-de-2026-marca-implementacao-da-reforma-tributaria
- [5] https://jornalcontabil.ig.com.br/noticia/cfop-conheca-a-tabela-e-veja-como-consultar-os-codigos/
- [6] https://blog.vhsys.com.br/tabela-cfop-completa/
- [7] https://www.contabeis.com.br/noticias/72713/nova-codificacao-tributaria-cclasstrib-impacta-operacoes-de-saida-em-2026/
- [8] https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/arquivo-manuais/a06guiapratico_para_2026_anexo_vi.pdf
Perguntas Frequentes
O que é o CFOP 1922?
O CFOP 1922 é um código da tabela de CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) utilizado para identificar a natureza de uma operação fiscal que se enquadra na descrição específica atribuída a esse código. Em termos gerais, o CFOP classifica se a operação é de entrada ou saída, sua finalidade comercial ou não comercial e qual tratamento tributário aplicar. Para usar corretamente o 1922 é essencial conferir a descrição oficial na tabela CFOP e a legislação aplicável, já que a correta identificação impacta impostos e obrigações acessórias.
Quando devo usar o CFOP 1922 na nota fiscal?
Você deve usar o CFOP 1922 apenas quando a operação que está sendo registrada corresponder exatamente à descrição legal atribuída a esse código na tabela oficial. Isso significa verificar se a operação é do tipo previsto (por exemplo, determinada entrada com característica específica) e se há orientações estaduais ou federais complementares. Usar o CFOP errado pode causar divergências fiscais, cálculo indevido de impostos e problemas em obrigações acessórias, portanto confirme com o manual de CFOP, legislação e seu contador antes de usá-lo.
Quais documentos ou informações devo conferir para confirmar o uso do CFOP 1922?
Para confirmar o uso do CFOP 1922 você deve consultar a tabela oficial de CFOP divulgada pela autoridade fiscal, a legislação estadual pertinente, notas técnicas da SEFAZ e orientações do seu contador. Além disso, analise o contrato comercial, nota fiscal recebida, natureza da mercadoria/serviço e se há regime especial como substituição tributária. Registros internos como pedidos, romaneios e comprovantes de devolução também ajudam a validar se a operação se encaixa no CFOP 1922.
Como o CFOP 1922 influencia o cálculo de ICMS e outras tributações?
O CFOP 1922, como qualquer CFOP, orienta qual é a natureza da operação e por consequência qual regime tributário e alíquotas devem ser aplicadas, inclusive sobre ICMS, ICMS-ST e possíveis isenções. Ao indicar a natureza fiscal correta, o CFOP define bases de cálculo, destaque de impostos e se haverá substituição tributária. Por isso, a escolha equivocada do CFOP pode gerar recolhimento a menor ou maior e implicar em retificações e multas; é imprescindível conferir legislação e parametrização fiscal do seu sistema.
Quais são os erros mais comuns ao utilizar o CFOP 1922 e como evitá-los?
Erros comuns incluem usar o CFOP 1922 para operações que não correspondem à sua descrição, confundir códigos semelhantes, esquecer regimes especiais (como ST) ou não atualizar parametrizações após mudanças legislativas. Para evitar isso, mantenha a tabela CFOP do seu ERP atualizada, treine a equipe fiscal, valide operações com o contador e faça checagens periódicas das notas antes da emissão. Documente casos recorrentes para criar orientações internas e reduzir falhas operacionais e fiscais.
O CFOP 1922 é o mesmo para todas as unidades federativas do Brasil?
A tabela de CFOP é federal e seus códigos são padronizados, porém a interpretação prática, o tratamento de tributos e regras complementares podem variar entre estados. Estados podem aplicar diferentes normas sobre substituição tributária, incentivos ou isenções que alteram a forma de tributação da operação descrita pelo CFOP 1922. Por isso, embora o código exista nacionalmente, valide sempre a aplicação com as regras do estado envolvido na operação e com orientação do seu contador.
Como configurar meu sistema (ERP) para emitir notas com CFOP 1922 corretamente?
Para configurar o ERP, primeiro identifique exatamente quais situações internas correspondem à descrição do CFOP 1922 e mapeie esses cenários em procedimentos operacionais. Atualize a tabela de CFOP no sistema, vincule as regras fiscais corretas (alíquotas, base, ST) e crie validações que impeçam a emissão quando informações obrigatórias estiverem ausentes. Teste notas em ambiente de homologação e documente rotinas. Consulte o suporte do ERP e seu contador para garantir que parametrizações e integrações com nf-e/SPED estejam corretas.
Onde encontro a descrição oficial e a legislação referente ao CFOP 1922?
A descrição oficial do CFOP 1922 e sua legislação correlata podem ser encontradas na tabela de CFOP divulgada pelo Ministério da Economia ou pela Receita Federal, em publicações e manuais técnicos da SEFAZ e em normas estaduais que tratam do ICMS. Também é recomendável consultar notas técnicas de NF-e, orientações das secretarias estaduais da Fazenda e material do seu contador ou assessor fiscal. Manter essas fontes atualizadas é essencial para aplicar o código corretamente e evitar contingências fiscais.
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